terça-feira, 19 de abril de 2011

Fidel no papel de eminência parda


No terceiro dia do 6º congresso do Partido Comunista Cubano (PCC), ontem, Fidel Castro, 84 anos, fez uma aparição surpresa e anunciou, para espanto dos quase mil presentes, que não assumirá qualquer cargo da direção partidária. Larga, assim, seu último naco de poder formal na ilha caribenha. Mas se engana quem pensa que ele deixa nas mãos do irmão e atual presidente, Raúl Castro, os rumos do país. “El Comandante” sai da linha de frente da esfera institucional e se recolhe – agora por completo – ao bunker das “eminências pardas”, sempre como a sombra de Raúl. De lá continuará a exercer o Poder, desta vez travestido de “poder de fato”.

Em texto divulgado hoje pelo site cubadebate.cu, por onde o ex-líder publica suas “reflexões”, Fidel explica que sugeriu a Raúl que o excluísse da lista de candidatos ao Comitê Central do PCC porque, “já por seus anos e sua saúde, não poderia emprestar muitos serviços ao Partido”.

Esse foi o segundo rito de passagem de poder protagonizado por Fidel. Ele havia transmitido a presidência do país ao irmão Raúl há seis anos, cargo que ocupou por 40 anos. Desde então, se mantinha no comando do partido, o que lhe reservava ainda algum poder constituído, passando a fazer sentir sua força por meio de artigos publicados regularmente no jornal oficial Gramna.

A influência de Fidel sobre as instância de Poder cubanas, porém, ainda prevalecerá e pôde ser sentida nos resultados deste 6º congresso. Um dos objetivos primordiais do encontro seria a renovação da cúpula do partido juntamente com a aprovação de reformas econômicas. Eis que, em razão da ascendência do comandante, o que se viu foi uma “renovação conservadora”.

O veterano político e ex-guerrilheiro junto com Fidel na Revolução Cubana, José Ramón Machado, 80 anos, foi apontado como o segundo secretário, o segundo posto mais importante do PCC, assumindo o cargo de vice-presidente do país. Além disso, a cúpula do partido manteve-se nas mãos da "velha guarda". Houve, é bem verdade, a inclusão de novos membros no comitê central, mas que não chega a interferir nas instâncias decisórias partidária.

Seguindo a cartilha de Fidel, os membros do PCC optaram por salvaguardar os princípios da Revolução em vez de avanços no campo das reformas. Frustraram-se, assim, mais uma vez, as expectativas de ascensão a postos de destaque de jovens militantes, mais antenados às mudanças econômicas que se iniciam na ilha e propensos a reformas institucionais de verdade.

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